O Ministério de Portos e Aeroportos lançou iniciativas voltadas à ampliação da presença feminina em carreiras técnicas da aviação civil. Os programas focam na formação de pilotas e mecânicas de manutenção aeronáutica, áreas historicamente ocupadas por homens no Brasil.

Os dados do setor apontam um cenário de baixa representatividade. Apenas 3% dos pilotos registrados no país são mulheres, em um universo de mais de 64 mil profissionais. Entre os mecânicos de manutenção aeronáutica, a proporção se mantém similar, com cerca de 3% de participação feminina em um grupo que ultrapassa 30 mil trabalhadores. A função de comissário de voo apresenta realidade distinta, com mulheres representando 66% da categoria.

A formação de pilotas integra o programa Asas para Todos. O processo seletivo contou com 842 inscrições e resultou na seleção de 20 participantes, sendo metade das vagas destinadas a mulheres. A capacitação prevê 183 horas de voo e curso de inglês para certificação internacional, com conclusão esperada para dezembro de 2026.

Na área de manutenção, o ministério oferece cursos especializados em célula, aviônicos e grupo motopropulsor. A qualificação técnica visa ampliar o acesso de mulheres a uma carreira essencial para a segurança operacional e o funcionamento da aviação civil.

O SINTRENORTE, que representa trabalhadores aeroportuários na região Norte, acompanha com interesse as ações federais que impactam a categoria. O sindicato avalia positivamente a reserva de vagas para mulheres em processos seletivos de formação, entendendo que medidas afirmativas contribuem para reduzir desigualdades históricas no setor.

Na realidade dos aeroportos do Norte, como Manaus, Belém, Porto Velho e Boa Vista, a presença de mulheres em funções técnicas pode trazer benefícios para a diversidade das equipes e para o fortalecimento da aviação regional. O sindicato destaca que a efetividade dessas políticas depende de articulação com entidades representativas, empresas concessionárias e instituições de ensino.

O SINTRENORTE reforça que a inclusão feminina na aviação vai além do acesso à formação. É necessário garantir ambientes de trabalho respeitosos, oportunidades de crescimento e reconhecimento profissional. O sindicato se coloca à disposição para dialogar sobre a ampliação dessas ações para a região Norte, com foco em editais locais e suporte às trabalhadoras durante e após a capacitação.

A medida federal representa um avanço na direção da equidade de gênero no setor aéreo. Cabe agora aos atores envolvidos assegurar que os resultados sejam sustentáveis e que as trabalhadoras formadas tenham espaço para atuar e desenvolver suas carreiras.

O SINTRENORTE orienta que as trabalhadoras interessadas em oportunidades de formação acompanhem os canais oficiais do Ministério de Portos e Aeroportos e da Secretaria de Aviação Civil.